sábado, 4 de setembro de 2010

O aborto e a vida



Desde pequena eu sou a favor do aborto. Não me ache insensível! Eu sempre fui sensível, mas com uma opinião relativa no quesito VIDA. Quando alguém me diz que é contra o aborto eu sempre pergunto para a pessoa “O que é vida para você?”. As respostas que eu escuto são sempre as banais e, para mim, pouco profundas.

Desde que conheci a celebre frase de Oscar Wilde “Viver é a coisa mais rara do mundo, a maioria das pessoas apenas existe...” consegui definir em palavras o que é a vida. A partir disto, sempre digo que não acho que tirar de dentro de uma mulher um feto, de até 2 meses, seja HOMICÍDIO. Ele não pensa, nem sente, ele existe, mas não vive. E não considero matar dar descanso a um organismo que, naquele momento, apenas está ali, mas não vive.

Desta forma, no ano passado, quando resolvi virar vegetariana, optei por ser ovolactovegetariana. Isto porque o ovo nada mais é do que células sexuais não fecundadas ainda (apenas ocorre a fecundação quando a galinha esquenta o ovo). E eu não acho que impedir uma fecundação seja matar um animal. Quanto aos humanos, eu não acho que tirar um feto antes que ele tenha certas condições físicas, seja matá-lo.

Algo mais questionador e menos pessoal que acho indispensável dizer é: uma pessoa ser contra o aborto é desrespeitar o direito do próximo. Se alguém não quer fazer aborto o problema é da pessoa (eu mesma acho que não faria, porque assumiria as conseqüências do que faço), mas cada caso é um caso, e não dá para fazer regras em cima de exceções. Portanto, o aborto deveria ser permitido, para cada mulher decidir o que vai fazer, sem ter que se prestar a clínicas ilegais ou remédios que fazem mal.

É muito melhor para uma criança deixar de nascer do que nascer numa família desestruturada ou que não queira ela. Um grande problema da sociedade (em todas as classes econômicas) é o nascimento de crianças indesejadas, que são criadas de qualquer jeito e podem ameaçar a vida de gente que teve a família esperando seu nascimento, ou de um sujeito ‘ético’ que é contra abortos.

2 mensagens:

miris disse...

polêmico esse assunto, mas faz sentido o q vc mecionou, só em algumas partes. cada caso é um caso.

Aragon disse...

Acho que seu argumento usando o pensamento de Oscar Wilde "Viver é a coisa mais rara do mundo, a maioria das pessoas apenas existe" foi mal interpretado, não? Na minha opinião ele coloca que nem todas as pessoas sabem viver. Por exemplo, suicídas, viciados, bulêmicos, etc.

Para a ciência um ser vivo é um ser vivo é qualquer coisa capaz de se reproduzir, evoluir e manter um metabolismo (isto é, produzir energia quando come ou respira). Mas mesmo a ciência é confusa a respeito do que é vida.

Não concordo nada nada com seu argumento "Ele não pensa, nem sente, ele existe, mas não vive", o fato de um ser vivo não ter consciência/razão é um argumento plausível para que venhamos a matá-lo? Mais estranho vindo de voc, uma pessoa que optou por ser vegan, creio que escolheu esse estilo de vida por amar e querer proteger os animais, certo?

Sabe qual é o principal argumento de uma pessoa que mata um animal? Ah... Ele não pensa, é irracional, então qual o problema?

E a Constituição brasileira defende a vida, "é devido à todos o direito de viver", então mesmo que este assunto paire décadas e décadas pela rede judicial brasileira, creio eu que tal lei não venha a ser aprovada a não ser que haja uma mudança radical na Constituição.

Mas adorei seu texto, amo ver a opinião alheia sobre tudo. Parabéns, e continue se esforçando ao máximo para ser uma ótima jornalista, porque parece que é o que tem feito, porque voc escreve de forma estupenda.

Nunca podemos provar que nossas teorias são verdadeiras. Só podemos refutar teorias, provar que são falsas - Falseabilidade de Karl Popper. Só pra mostrar que não era minha intenção ser chato.

http://wii-aintthenintendo.tumblr.com/